Tudo que você precisa saber para visitar as misteriosas Linhas de Nazca, onde ficar, como chegar e os melhores passeios para fazer.
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As Linhas de Nazca são um dos maiores mistérios da América do Sul: centenas de linhas e figuras gigantes desenhadas no deserto do sul do Peru há cerca de 2.000 anos, tão grandes que só podem ser vistas por inteiro do alto. Neste guia você descobre o que são, quem as fez, quanto custa o sobrevoo, como chegar saindo de Lima e se vale a pena incluir Nazca no seu roteiro.
Resumo rápido
- O que são: centenas de linhas e figuras gigantes desenhadas no chão do deserto do sul do Peru há cerca de 2.000 anos. Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1994.
- Onde ficam: perto da cidade de Nazca, a 6–7 horas de ônibus de Lima e 2,5 horas de Ica e Huacachina.
- Como ver: de avião (voo de 30 minutos, a melhor vista) ou do mirante na Rodovia Pan-Americana (mais barato, mostra 3 figuras).
- Quanto custa: o sobrevoo sai a partir de US$ 85, mais S/ 30 de taxa aeroportuária e S/ 47 de bilhete turístico.
- Melhor horário: de manhã, quando o vento é mais fraco e o voo é mais estável.
Dica: a Peru Hop é a empresa mais usada pelos brasileiros para viajar pelo sul do Peru, com parada nas Linhas de Nazca incluída no trajeto. Veja como funciona.
As Linhas de Nazca são geoglifos: desenhos feitos no chão do deserto, nos pampas entre as cidades de Nazca e Palpa, no sul do Peru. Ao todo são centenas de linhas retas, triângulos, espirais e trapézios, além de cerca de 70 figuras de animais e plantas, como o beija-flor, o macaco, a aranha, o condor, a baleia e o pelicano.
O tamanho impressiona. Algumas linhas seguem retas por quilômetros, cruzando vales e morros sem desviar, e as maiores figuras passam de 300 metros. Do chão, quem está em cima de uma delas vê apenas um sulco raso na terra. Só do alto é possível entender o desenho.
Os geoglifos sobreviveram por 2.000 anos por causa do clima: o deserto de Nazca é um dos lugares mais secos do planeta, quase não chove e o vento perto do chão é fraco. Em 1994, as Linhas e Geoglifos de Nazca e Palpa foram declarados Patrimônio Mundial pela UNESCO.
A técnica é simples, o que torna o resultado ainda mais impressionante. A superfície do deserto é coberta por pedras escuras, avermelhadas pela oxidação. Ao retirar essa camada e amontoar as pedras nas bordas, aparece o solo mais claro que está por baixo. O contraste forma a linha.
Os pesquisadores acreditam que os Nazca usavam estacas e cordas para manter as proporções e traçar linhas retas por longas distâncias. Experimentos modernos mostraram que um grupo pequeno, com essas ferramentas, consegue reproduzir uma figura grande em poucos dias.
A maior parte das linhas foi feita pela cultura Nazca, que viveu na região entre 200 a.C. e 600 d.C. Os Nazca eram ótimos ceramistas e tecelões, e muitos dos animais desenhados no deserto aparecem também nos vasos que eles deixaram.
Algumas figuras mais antigas, feitas nas encostas dos morros de Palpa, são atribuídas à cultura Paracas, que ocupou a mesma região antes dos Nazca. Por isso as datas mais citadas para o conjunto vão de 500 a.C. a 500 d.C.
A primeira menção escrita às linhas é de 1553. O cronista espanhol Pedro Cieza de León citou “sinais” no deserto em seu livro, mas achou que fossem marcações de trilhas.
O estudo de verdade começou no século XX. Em 1927, o arqueólogo peruano Toribio Mejía Xesspe percorreu as linhas a pé e passou anos estudando o conjunto, apresentando suas conclusões em conferências em Lima em 1939. Na mesma época, os primeiros voos comerciais e militares sobre a região começaram a revelar o que havia no chão.
Em 1941, o historiador norte-americano Paul Kosok chegou a Nazca para investigar se as linhas seriam canais de irrigação. Logo percebeu que eram rasas demais para isso. Ao sobrevoar a região, notou que algumas formavam figuras, como a de um beija-flor. Em uma tarde de junho, Kosok viu o sol se pôr exatamente no fim de uma das linhas, no dia do solstício de inverno, e passou a chamar o deserto de “o maior livro de astronomia do mundo”.
A matemática alemã Maria Reiche começou a trabalhar como assistente de Kosok nos anos 1940. Quando ele deixou o Peru, ela ficou e dedicou o resto da vida às linhas: mediu, mapeou e fotografou as figuras durante mais de 50 anos, até morrer em 1998.
Reiche também foi a grande defensora das linhas. Lutou contra projetos de estradas e de irrigação que teriam destruído parte delas e conseguiu que o governo peruano reconhecesse o deserto como área protegida.
Curiosidade: Maria Reiche gastou tantas vassouras limpando as linhas para que ficassem visíveis que muitos moradores de Nazca achavam que ela era uma bruxa.
Foi por causa do trabalho dela que se construiu a torre do mirante na Rodovia Pan-Americana, de onde ainda hoje é possível ver três das figuras. A casa onde ela viveu, perto das linhas, virou o Museu Maria Reiche.
Ninguém sabe com certeza por que os Nazca fizeram as linhas. As principais teorias são:
Imagine atravessar o deserto, descer grandes dunas de areia e relaxar à beira de uma lagoa em Huacachina antes de chegar a Nazca. Com a Peru Hop, sua viagem é segura, divertida e cheia de paisagens incríveis. Veja os passeios saindo de Lima.
Nazca fica a 450 km ao sul de Lima, pela Rodovia Pan-Americana Sul. Não há voos comerciais nem trem até a cidade: o pequeno aeroporto de Nazca é usado apenas para os sobrevoos. Por isso, o caminho é por terra.
De ônibus, saindo de Lima: a viagem direta leva de 6 a 7 horas. Muita gente prefere fazer o trajeto aos poucos, parando antes em Paracas e em Huacachina, que ficam no caminho.
De Ica ou Huacachina: são 2,5 horas. É a opção mais comum para quem quer fazer o sobrevoo e seguir viagem no mesmo dia. Há ônibus regulares de Ica para Nazca e transportes privados que saem de Huacachina cedo e chegam a tempo dos voos da manhã.
Com a Peru Hop: o ônibus pega você no hotel em Lima e para em Paracas, Huacachina e Nazca. Você desce onde quiser e segue viagem quando quiser, com guia a bordo. A parada no mirante das Linhas de Nazca já está incluída no trajeto para Arequipa e Cusco. Confira as passagens que passam por Nazca.
Dica: se você vai de Nazca para Arequipa ou Cusco, o trecho seguinte é longo e é feito à noite. Faça o sobrevoo de manhã e deixe a saída de ônibus para o fim da tarde.
O preço depende de como você quer ver as linhas. Valores de referência:
| Como ver | Preço | O que inclui |
|---|---|---|
| Sobrevoo saindo de Nazca | a partir de US$ 85 | Voo de cerca de 30 minutos em avião pequeno |
| Taxa aeroportuária (Nazca) | S/ 30 | Paga em dinheiro no aeroporto |
| Bilhete turístico das Linhas | S/ 47 | Pago em dinheiro no aeroporto |
| Mirante na Pan-Americana | Grátis | Subida à torre, vista de 3 figuras |
| Passeio de 2 dias saindo de Lima com voo | a partir de US$ 258 | Ônibus, Ilhas Ballestas, Huacachina e o voo |
Custo total do sobrevoo: cerca de US$ 85 + S/ 77 por pessoa. Leve as taxas em soles e em dinheiro, porque normalmente não se aceita cartão. Se ainda não sabe como levar dinheiro, veja nosso guia sobre a moeda do Peru.
Algumas coisas que mudam o preço:
Horários, empresas e como reservar estão no nosso guia do voo sobre as Linhas de Nazca.
O sobrevoo é a única forma de ver as Linhas de Nazca de verdade. Em 30 minutos o avião passa por 12 a 15 figuras, entre elas o beija-flor, o macaco, a aranha, o condor, a baleia e o “astronauta”, uma figura humana desenhada na encosta de um morro. O piloto inclina o avião para um lado e depois para o outro, para que todos os passageiros vejam cada figura. Os aviões são pequenos, de 8 a 10 lugares, e todos os assentos têm janela.
O ponto fraco é o enjoo: com as curvas fechadas, muita gente passa mal. Para evitar:
O mirante é uma torre metálica à beira da Rodovia Pan-Americana, a cerca de 20 km de Nazca. Do alto se veem 3 figuras: a árvore, as mãos e o lagarto, que foi cortado ao meio pela estrada quando ela foi construída, antes de as linhas serem protegidas. Perto dali há também um mirante natural, num pequeno morro, com vista para algumas linhas retas e trapézios.
A vista é bem mais limitada, mas custa quase nada e serve para quem tem medo de voar, está com o orçamento apertado ou tem pouco tempo.
| Sobrevoo | Mirante | |
|---|---|---|
| Figuras visíveis | 12 a 15 | 3 |
| Duração | cerca de 30 minutos de voo, mais o check-in | 15 a 20 minutos |
| Custo | a partir de US$ 85 + taxas | grátis |
| Para quem é | quem quer a experiência completa | quem não quer voar ou tem pouco tempo |
Nossa opinião: se o orçamento permitir, faça o voo. Do mirante você vê só uma pequena parte do que torna as linhas famosas, e é pouco provável que você volte a Nazca tão cedo. Quem viaja com a Peru Hop pode fazer os dois: o mirante já está incluído no trajeto, e o voo pode ser reservado à parte ou no passeio de 2 dias com voo.
Importante: é proibido caminhar ou dirigir sobre as linhas. As marcas de pneus deixadas no deserto ficam visíveis por décadas, e já houve casos de figuras danificadas por veículos.
Nazca fica num dos desertos mais secos do mundo, então dá para visitar o ano todo. Quase não chove e os voos raramente são cancelados por causa do clima.
Para planejar o resto da viagem, veja a melhor época para ir para o Peru.
Se você tiver uma tarde livre depois do sobrevoo, vale conhecer:
Mais dicas no nosso guia da cidade de Nazca.
Como as Linhas de Nazca estão entre as atrações mais visitadas do Peru, a cidade tem hospedagem para todos os bolsos, de hostels simples para mochileiros a hotéis com piscina. A maioria fica no centro, perto da Plaza de Armas, a cerca de 10 minutos de carro do aeroporto dos sobrevoos.
Muita gente nem dorme em Nazca: faz o voo de manhã e segue para Arequipa ou Cusco no ônibus da noite. Se preferir pernoitar, quem viaja com a Peru Hop tem descontos especiais em hostels e hotéis.
Vale, principalmente se Nazca estiver no seu caminho entre Lima e Arequipa ou Cusco. Poucos lugares do mundo têm algo parecido: desenhos de centenas de metros, feitos há 2.000 anos, que até hoje ninguém sabe explicar ao certo.
Se o roteiro estiver apertado, o mirante mostra um pouco das linhas sem fazer você perder um dia. Se você tiver uma manhã livre, o sobrevoo é a experiência que muitos viajantes dizem que mais valeu a pena no sul do Peru.
Com a Peru Hop você conhece Paracas, Huacachina e as Linhas de Nazca no mesmo trajeto, de Lima até Cusco, com guia a bordo e liberdade para ficar quanto quiser em cada lugar.
São centenas de linhas e figuras gigantes desenhadas no chão do deserto do sul do Peru, entre Nazca e Palpa. Foram feitas há 2.000 anos e são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1994.
A maior parte foi feita pela cultura Nazca, que viveu na região entre 200 a.C. e 600 d.C. Algumas figuras mais antigas, nas encostas de Palpa, são atribuídas à cultura Paracas.
Ninguém sabe ao certo. As teorias mais aceitas ligam as linhas a rituais para pedir água e a caminhos cerimoniais. Outras ligam as linhas a um calendário astronômico.
O sobrevoo sai a partir de US$ 85, mais S/ 30 de taxa aeroportuária e S/ 47 de bilhete turístico, pagos em dinheiro no aeroporto. O mirante na Rodovia Pan-Americana é grátis.
Dá, pelo mirante na Rodovia Pan-Americana, a 20 km de Nazca. De lá se veem 3 figuras: a árvore, as mãos e o lagarto. Para ver o beija-flor, o macaco e as demais, só de avião.
Os voos são regulamentados pelas autoridades peruanas, e as empresas formais seguem regras de manutenção e de peso. Já houve acidentes no passado, por isso escolha empresas conhecidas, com boas avaliações, e desconfie de preços muito abaixo da média.
Dura 30 minutos no ar. Conte de 2 a 3 horas no total, somando check-in, pesagem e espera.
Meio dia a um dia é suficiente. A maioria dos viajantes faz o sobrevoo de manhã e segue para Arequipa no fim da tarde.
Só por terra: são 6 a 7 horas de ônibus. Muita gente divide a viagem com paradas em Paracas e Huacachina.